A Bica do Convertido
Muitas histórias sobre Batuíra nos chegam até os dias de hoje. Uma interessante que vale a pena relatar é do fazendeiro rico na Província de São Paulo e sua esposa muito doente.
A esposa estava desenganada pelos melhores médicos da época. Ela tendo ouvido falar sobre Batuíra, que era uma figura que estava se tornando cada vez mais conhecida, pelas suas curas através da homeopatia. Pediu ao marido que fosse até a Rua Espírita buscar remédios para seu tratamento.
O fazendeiro tão poderoso, quanto orgulhoso, a contragosto atendeu o pedido da companheira e foi buscar o tal remédio, a tal homeopatia.
No meio caminho do Lavapés, até chegar na Rua Espírita ele encontrou uma nascente de água límpida e como estava levando uma garrafinha, resolveu enche-la de água e voltou para casa. Ao encontrar a esposa entregou-lhe a encomenda.
E disse-lhe: Que era para tomar uma colher de sopa quatro vezes ao dia. Quando terminasse a garrafa, ele voltaria para buscar mais. A esposa recebendo a encomenda, disciplinada, iniciou o tratamento.
E curiosamente começou a apresentar melhoras. Melhoras consistentes. Para a grande surpresa do fazendeiro.
Ardiloso, o fazendeiro, arma um plano para desmascarar aquele charlatão espírita. Então, escolheu um dia que era de uma palestra pública e foi até lá, prepotente e orgulhoso.
Certo de ser possuidor de um grande trunfo na mão para desmascarar aquele velho charlatão, que se dizia espírita.
Mas para quem se julgava de posse de um trunfo na manga, quem teve o choque da surpresa foi o próprio fazendeiro. Mal houvera se colocado entre a plateia, Batuíra que fazia a palestra, dirigiu a palavra diretamente a ele e disse: “o Senhor perdeu seu tempo vindo até aqui, era só encher de novo a garrafa com a água daquela bica que os espíritos colocariam os remédios na água para que a cura de sua esposa se concretizasse faça isso e nada mais”.
Envergonhado o fazendeiro retirou-se do recinto, refletindo em tudo que acontecera.
Era a clarividência extraordinária de Batuíra, o fazendeiro voltou no dia seguinte para nunca mais se afastar dos trabalhos do grupo espírita.
Nesse momento Batuíra passa a realizar sua tarefa missionária. O conhecimento assimilado da doutrina espírita que havia se preparado no mundo espiritual, antes de reencarnar, desabrocha em exemplos reveladores. Dando um testemunho principalmente daquilo que a doutrina nos traz na verdade Consoladora, Esclarecedora e Libertadora.
A fé raciocinada e a certeza da imortalidade da alma. O verdadeiro sentido do “Amor Crítico” desabrocha a ponto de assombrar a sociedade bandeirante.
Éder Andrade
Referências:
1) Monteiro, Eduardo Carvalho; Batuíra Verdade e Luz; Ed. Lumen Editorial.